
Chile com as amigas, viajar em grupo costuma transformar a experiência de um destino. No Chile, isso ganha um ingrediente extra quando o roteiro combina algumas das principais vinícolas do país, comida e passeios culturais. Foi exatamente essa a proposta da nossa Confradelas, um grupo de 13 mulheres apaixonadas por vinho. Passamos cinco dias explorando Santiago e três dos mais importantes vales produtores do país.
Mais do que uma sequência de degustações, este foi um roteiro pensado para conhecer o vinho chileno, ou seja da paisagem dos vinhedos à mesa, da história às tradições locais.
Neste post, compartilho o itinerário completo da viagem, com sugestões de restaurantes, atrações e dicas práticas para quem deseja fazer um roteiro semelhante.
Dia 1 – Primeiros sabores de Santiago. Entre parques, mirantes e gastronomia
O voo da Latam partiu de Guarulhos pela manhã e, pouco mais de quatro horas depois, já estávamos em Santiago. Fomos recepcionadas pela Vem me Buscar Chile, agência de transporte privado. Após deixar as malas no Hotel Rugendas, no charmoso bairro de Las Condes, seguimos direto para o primeiro compromisso gastronômico da viagem.
Almoço restaurante Mestizo, no Parque Bicentenário
Nossa estreia foi no Mestizo, um dos restaurantes mais conhecidos da capital chilena. Localizado dentro do Parque Bicentenário, ele combina arquitetura moderna, vista para as áreas verdes e uma cozinha que valoriza ingredientes locais. Não deixe de entrar no banheiro, ele é de pedras, lindo.
Foi uma excelente forma de começar a viagem, em um ambiente agradável e longe do ritmo acelerado do centro da cidade.

Vista panorâmica no Sky Costanera
Depois do almoço, já no fim da tarde chamamos um uber e seguimos para o Sky Costanera, o mirante mais alto da América do Sul. A ideia era ver o pôr do sol, em um dos melhores lugares para contemplar a vista da cidade. Do alto do edifício é possível entender a geografia de Santiago, cercada pela Cordilheira dos Andes .
A visita também é uma boa oportunidade para observar como a cidade se organiza e identificar vários dos bairros que exploramos nos dias seguintes.

Compras no Jumbo e passeio pelo MUT
Antes de retornar ao hotel, saímos a pé do Sky Costanera e fizemos uma parada no supermercado Jumbo. Sempre uma ótima oportunidade para conhecer produtos locais, como chocolates, azeites e vinhos. Assim como eu, elas também adoram supermercados de outros países.
De lá seguimos para a tradicional Pizzeria Tiramisu, bastante conhecida entre moradores e visitantes. Pizza com massa fininha, uma delícia. Brindamos a noite com um Pisco, bebida local bem gostosa. Voltamos caminhando para o hotel. E assim encerramos nosso primeiro dia em Santiago, foi intenso, por conta da viagem, mas valeu muito.
Dia 2 – Vale de Casablanca: vinhos de clima frio, uma das regiões mais importantes do Chile
Se existe um destino obrigatório para quem aprecia vinhos brancos e Pinot Noir, esse lugar é o Vale de Casablanca.
A região está localizada entre Santiago e o litoral do Pacífico. A influência marítima cria temperaturas amenas, favorecendo uma produção reconhecida internacionalmente.
Vinícola Emiliana
Saímos do hotel por volta das 8hs com o transfer Vem me Buscar (VMB Chile) em direção a Vinícola Emiliana, referência mundial em viticultura orgânica e biodinâmica.
Além das degustações, a visita permite compreender como práticas sustentáveis influenciam toda a produção, desde o cultivo das videiras até a elaboração dos vinhos.




Casas del Bosque e almoço no Tanino
Seguimos então para a Casas del Bosque, uma das vinícolas mais prestigiadas do vale. Fizemos o tour pelo vinhedo e sala de barricas, finalizando com uma degustação de 4 rótulos.
O almoço aconteceu no restaurante Tanino, frequentemente citado entre os melhores restaurantes de vinícolas da América do Sul. A proposta une ingredientes chilenos, cozinha contemporânea e harmonizações cuidadosamente pensadas com os vinhos produzidos na propriedade.




Artesanato, Cerro Santa Lucía e Lastarria
No retorno a Santiago, pedimos que o transporte nos deixasse próximo ao Centro de Artesanías Santa Lucía, uma excelente opção para comprar peças produzidas por artesãos chilenos.
A ideia era subir no Cerro Santa Lucía, local onde Santiago foi fundada em 1541. Mas quando saímos do centro de artesanato já estava escuro e não fomos. O centro de artesanato fecha as 18h e chegamos bem encima da hora, pra comprar umas lembrancinhas.
De lá, seguimos caminhando até o bairro Lastarria, um dos mais agradáveis da capital, conhecido pelas construções históricas, cafés, livrarias e atmosfera cultural.
O dia terminou no Bocanariz, um bar especializado exclusivamente em vinhos chilenos, ideal para continuar explorando diferentes terroirs do país acompanhados de pequenas porções ou pratos se preferir.

Dia 3 – Vinícola Santa Rita, Pablo Neruda e a cultura de Santiago
O terceiro dia reuniu história, literatura e uma das vinícolas mais tradicionais do Chile.
Vinícola Santa Rita
Saímos cedo do hotel e após alguns minutos de caminhada chegamos na estação de metrô Tobalaba/MUT. De lá pegamos o trem e descemos na estação Los Héroes (Linha 1 – Vermelha),considerado o ponto de partida mais
recomendado, onde se encontram “táxis coletivos” ou ônibus específicos que vão em direção a Buin/Alto Jahuel.
Fomos com um desses táxis coletivos e voltamos de uber.
A vinícola Santa Rita fica em Buin, cerca de 40 quilômetros de Santiago, e é uma das vinícolas históricas do país.
Chegamos cedo, e a proveitamos para tomar um chá bem quentinho no Café La Panadería, que fica dentro da vinícola bem em frente ao Museu Andino.
O Museu Andino, é um diferencial, instalado dentro da propriedade. Com entrada gratuita para os visitantes da vinícola, ele reúne milhares de peças arqueológicas e etnográficas que ajudam a compreender a história dos povos originários dos Andes. Peças lindíssimas, um verdadeiro tesouro.
Almoçamos no restaurante Doña Paula, da própria vinícola. E depois seguimos para uma passeio pelo seu Parque Centenário, outro tesouro.


La Chascona: conhecendo a casa de Pablo Neruda
De volta a Santiago, seguimos para La Chascona, uma das três casas do poeta Pablo Neruda.
Construída para Matilde Urrutia, sua companheira, a residência revela muito da personalidade do escritor: ambientes inspirados em navios, coleções curiosas, objetos trazidos de diferentes viagens e espaços que misturam arte, literatura e arquitetura. Tudo muito colorido, como eu gosto.
Neruda não era exatamente um colecionador. Era um “coisista”. Escutei essa definição da guia que nos acompanhou na minha primeira visita à casa e nunca mais esqueci. Achei tão perfeita que, de certa maneira, até me identifiquei.
Esta foi minha segunda vez em La Chascona e, mesmo conhecendo a casa, a visita novamente despertou minha curiosidade pelos objetos, pelas histórias e pelos detalhes que aparecem em cada ambiente.
Mesmo para quem não conhece profundamente a obra de Neruda, La Chascona ajuda a compreender um pouco mais sobre o universo do poeta e sua importância cultural para o Chile.


Patio Bellavista e jantar com sabores ancestrais
Ao lado da casa está o Patio Bellavista, um dos polos gastronômicos mais movimentados da cidade.
Escolhemos jantar no Peumayén Ancestral Food, restaurante que propõe uma experiência baseada em ingredientes utilizados por povos originários dos Andes e do sul do Chile. É muito, muito, bom.
Mais do que uma refeição, é um mergulho na diversidade gastronômica chilena.

Dia 4 – Trem turístico Sabores do Alto Colchagua: quando a viagem faz parte da experiência
Poucos passeios conseguem reunir transporte, paisagens, vinho e cultura de maneira tão integrada quanto o Trem Turístico Sabores do Alto Colchagua.
A experiência começa logo cedo na Estação Central de Santiago. Chegamos de Uber e, de lá, embarcamos no trem que nos levaria pelo Vale do Alto Colchagua.”
Assim que embarcamos, recebemos um kit de boas-vindas com água, snacks e uma taça que nos acompanharia durante toda a viagem.
Enquanto o trem atravessa o interior chileno, música ao vivo e degustações de vinhos do Vale do Alto Colchagua transformam o deslocamento em parte da programação.
Ao chegar a San Fernando, fomos recebidas por uma apresentação de danças típicas realizada por crianças da comunidade local. Quem quis também pôde participar da dança, tornando a recepção ainda mais espontânea.


Visita à Casa Silva
Depois, seguimos de ônibus até a Vinícola Casa Silva.
A visita percorre áreas de produção, explica as etapas da vinificação e termina com degustações de alguns dos vinhos produzidos na propriedade.
O almoço foi servido em um hotel próximo à vinícola. Apesar do grande número de participantes do passeio, estava tudo bem organizado.
De volta a Santiago, encerramos o dia no Diablo Vino & Fuego, restaurante localizado no último andar do MUT, com vista para a cidade. O ambiente é muito bonito e a comida estava deliciosa, uma ótima maneira de fechar o dia.


Dia 5 – Últimas horas em Santiago
Antes do voo de retorno ao Brasil, ainda houve tempo para um passeio tranquilo pelas ruas da cidade.
Essas últimas horas costumam ser ideais para revisitar algum lugar próximo ao hotel, e foi isso que fizemos passamos uma parte da manhã no MUT, onde aproveitamos para lanchar algo rápido. E no início da tarde, nos despedimos de Santiago.
E assim terminamos nossa viagem. Foram dias intensos, conhecemos lugares, provamos vinhos, comidas deliciosas e, principalmente, muitas conversas e risadas pelo caminho. Mas o que mais gostei foi justamente de sair da rotina e viver esses dias só entre mulheres. Sem a correria de casa, do trabalho e dos compromissos de todos os dias, pudemos acordar, passear, sentar à mesa, brindar e conversar sem pressa.
Foram dias cheios, mas, ao mesmo tempo, de descanso. Voltamos para casa com a mala cheia de histórias e já pensando na próxima Confradelas.
E você, já fez uma viagem só com as amigas? Para onde seria a próxima Confradelas?



