Berlim se revela a pé: história, arte e descobertas pelo caminho

16–24 minutos

Em família, percorremos diferentes bairros da capital alemã e conhecemos uma cidade onde arte, história e cotidiano compartilham o mesmo espaço

Uma viagem a Belém do Pará me fez olhar de outra maneira para a arte que encontramos pelas ruas. Na Ilha do Combu, conheci o trabalho do artista paraense Sebá Tapajós e o projeto que transformou fachadas e palafitas de moradores ribeirinhos em grandes telas a céu aberto. Mais do que as pinturas, chamou minha atenção a maneira como a arte passou a fazer parte daquele lugar e da vida de quem vive ali.

Quando comecei a pesquisar sobre Berlim, a arte urbana da cidade logo despertou meu interesse. Em uma conversa com Guilherme, lembramos da experiência em Belém e pensamos em quantos murais poderíamos encontrar durante nossas caminhadas pela capital alemã.

Foi assim que percorremos Berlim olhando para os muros e fachadas, mas também para as marcas deixadas pela história. Aos poucos, fomos percebendo que, naquela cidade, arte, memória e cotidiano convivem na mesma paisagem. Um mural pode estar ao lado de um edifício histórico, um memorial pode surgir no meio do caminho, e uma praça pode carregar uma história que transforma completamente a maneira de olhar para aquele lugar.

Um bom começo

Pousamos em Berlim perto da hora do almoço. E, em viagem em família, existe uma regra que aprendemos há muito tempo, criança com fome não espera roteiro. Ao lado do apartamento que alugamos no Airbnb, no bairro Mitte, encontramos uma solução que agradou a todos, um restaurante com o prato preferido das crianças, macarrão a bolonhesa.

Para a chegada, estava perfeito. O tour pela gastronomia alemã poderia esperar. Naquele primeiro almoço, antes mesmo de começar a explorar Berlim, fizemos o que uma família viajando faz melhor, resolvemos o básico.

Crianças comendo macarrão em Berlim
Macarronada na chegada

Os primeiros passos por Berlim

Depois de instalados, saímos para reconhecer a vizinhança. Caminhamos pelas ruas e praças ao redor do apartamento e, como não poderia faltar, fomos ao supermercado fazer uma comprinha. Tenho o hábito de visitar mercados durante as viagens, gosto de ver os produtos, as marcas e os hábitos de consumo que mudam de um país para outro. Se deixar, passo horas entre as prateleiras.

No segundo dia de viagem, começamos com um programa que tinha grandes chances de agradar as crianças, o Museu de História Natural de Berlim. E, claro, agradou.

Museu de História Natural – Museum für Naturkunde

Logo na entrada está o maior esqueleto montado de um braquiossauro, com mais de 13 m de altura. Mães de menino entenderão. Afinal, qual mãe não foi fisgada pelo mundo dos dinossauros?. O museu também guarda o fóssil original do tiranossauro rex, conhecido como Tristan, um dos predadores mais assustadores que já existiram. Além disso, reúne uma extensa coleção de outras espécies e objetos científicos.

Passamos a manhã explorando as salas, sem muita pressa. Um jeito leve de começar a conhecer a cidade.

Mas Berlim não demora a mudar de assunto. Saímos do universo dos dinos e seguimos para um dos lugares onde a história da cidade se torna mais concreta, a rua Bernauer Straße.

Ingressos: Compramos com antecedência pelo site do museu.

Memorial do Muro de Berlim – Gedenkstätte Berliner Mauer

Depois do museu, nossa caminhada tomou outro rumo, fomos para a Bernauer Straße, um dos lugares que melhor ajudam a entender a divisão de Berlim.

O Memorial do Muro de Berlim preserva um trecho da antiga fronteira e conta a história da construção do muro, da separação da cidade e das pessoas que morreram tentando atravessá-lo. O memorial ocupa alguns quarteirões e, em alguns pontos, estruturas de ferro indicam o trajeto que o muro ocupava. Fotografias, textos e informações ao longo do percurso contam e mostram melhor como era o muro e como foi construído.

Caminhar pela Bernauer Straße foi diferente. A história estava literalmente sob nossos pés, no lugar onde aquela divisão aconteceu.

E foi ali que encontramos o primeiro dos murais que queríamos conhecer em Berlim.

As crianças entraram na brincadeira. A partir daquele momento, ficamos mais atentos aos muros e fachadas que apareciam pelo caminho. E não foram poucos. Entre um ponto turístico e outro, algumas vezes desviávamos um pouco do trajeto, e, outras desviávamos bastante. Quando aparecia alguma obra que não estava entre as que queríamos conhecer, a descoberta era ainda mais divertida. Todos ficaram atentos para ver quem encontrava o próximo.

Encontramos muito mais murais do que os que aparecem aqui. Alguns já estavam nos nossos planos, outros surgiram no caminho. Ao longo do texto, mostro alguns dos que mais chamaram nossa atenção.

O famoso grafite Fleisch (Carne), criado pelo artista alemão Marcus Hass.

Depois da intensidade do Memorial e da descoberta do primeiro mural, encerramos o domingo em um cenário completamente diferente. Fomos ao Flea Market, o famoso mercado de pulgas e depois ao Bearpit Karaoke ambos no Mauerpark, no bairro de Prenzlauer Berg.

Aproveitamos também para caminhar pelo bairro, passando por cafés, sorveterias e prédios antigos restaurados, muitos deles com fachadas coloridas. É daqueles lugares em que vale simplesmente andar e observar.

O Bearpit karaokê é conhecido como um dos espetáculos culturais mais vibrantes e inclusivos do mundo. Não precisa ingresso, basta chegar. Ele acontece aos domingos, durante o verão, e é muito maior do que eu imaginava. Milhares de pessoas se espalham pelo parque, algumas chegam preparadas para cantar, outras, assim como nós, aparecem para assistir. Arrumamos um canto para sentar e ficamos um pouco, acompanhando as apresentações. Tinha gente que cantava muito bem, outras nem tanto. E essa é a graça, pois ninguém parece se importar muito com isso.

Entre monumentos, murais e histórias

No dia seguinte, voltamos a caminhar pelo Mitte, um dos bairros mais centrais e históricos de Berlim. Para chegar ao ponto de partida, pegamos o metrô até o Portão de Brandemburgo. Dali, seguimos a pé, passando por lugares em que a história da cidade aparece quase a cada esquina.

Apesar de termos feito boa parte do percurso a pé, em alguns momentos usamos o eficiente transporte público de Berlim para ganhar tempo e poupar as perninhas dos pequenos.

Portão de Brandemburgo

O céu azul e a temperatura agradável nos acompanharam durante toda a viagem, uma combinação que deixou nossos percursos a pé ainda mais gostosos. Começamos o dia visitando o Portão de Brandemburgo, um dos símbolos mais conhecidos de Berlim.

À primeira vista, é um monumento imponente, cercado por turistas e pelo movimento constante. Mas basta conhecer um pouco da história para perceber que ele carrega muito mais do que uma beleza arquitetônica. Construído em 1791 como um símbolo de paz, o portão passou por diferentes momentos da história alemã e, durante a Guerra Fria, ficou isolado entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental, tornando-se um dos símbolos da cidade dividida.

Hoje nada lembra aquela separação. Pessoas atravessam livremente o espaço, bicicletas passam, turistas fotografam e a cidade segue seu movimento. Ficamos algum tempo observando essa cena antes de continuar a caminhada em direção ao Reichstag.

Portão de Brandemburgo em Berlim

Reichstag e a cúpula de vidro

No Edifício Reichstag, que abriga o Parlamento alemão (Bundestag), visitamos a cúpula de vidro. Ela oferece uma vista panorâmica de 360 graus da cidade e possui uma rampa em espiral ao redor de um cone de espelhos. Essa rampa virou uma atração a parte para as crianças, que encontraram um jeito divertido de percorrer o espaço enquanto nós aproveitávamos a vista.

Para visitar a Cúpula: o acesso é gratuito mas exige inscrição prévia no site oficial do Parlamento.

De lá seguimos pela famosa Avenida Unter den Linden. No caminho passamos pela loja da Nivea, marca alemã que faz parte do cotidiano de muita gente por aqui. Entramos para olhar e saímos com alguns creminhos, bons para trazer de lembrança e com aquele cheiro característico que eu adoro.

Bebelplatz e a memória dos livros queimados

Poucos minutos depois, chegamos a Bebelplatz. Essa praça ficou conhecida devido ao acontecimento de 10 de maio de 1933, quando milhares de livros de autores censurados pelo regime nazista foram queimados. Entre eles estavam obras de Karl Marx, Sigmund Freud e Heinrich Heine. Para mim, que sempre tive nos livros uma companhia importante, estar diante daquele lugar teve um peso difícil de ignorar.

No chão da praça, uma janela de vidro permite olhar para uma sala subterrânea com estantes vazias. A instalação, chamada Biblioteca Vazia, faz referência aos cerca de 20 mil livros queimados naquela noite de 10 de maio.

Depois da Bebelplatz, fizemos uma pausa para almoçar. Com crianças, é preciso respeitar esses horários. Com as energias renovadas, retomamos a caminhada pelo Mitte, agora em direção ao Checkpoint Charlie.

Checkpoint Charlie

Durante a Guerra Fria, o Checkpoint Charlie foi um dos principais pontos de passagem entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Por ali circulavam aliados, estrangeiros e diplomatas entre os dois lados da cidade dividida. Hoje, o antigo posto de controle se tornou um dos pontos turísticos mais visitados de Berlim.

Até aquela hora, havíamos passado por alguns dos lugares mais conhecidos de Berlim. Mas, por causa das minhas pesquisas sobre arte urbana na cidade, eu sabia que havia naquele bairro um mural que eu queria muito conhecer.

Tinha visto fotos do Elefante e fiquei encantada. Não podia estar tão perto e simplesmente ir embora sem tentar encontrá-lo.

Só que ele não estava tão perto assim. Andamos, andamos e parecia que nunca chegava. As crianças estavam cansadas, começaram as reclamações e nós pensamos seriamente em desistir. Mas eu insisti. Afinal, depois de tanta caminhada, faltava pouco para eu descobrir se era tudo aquilo que eu tinha imaginado.

Mais alguns passos e encontramos o Elefante. Valeu a pena insistir. O mural ocupa a parede de uma quadra poliesportiva e o espaço ao redor acabou sendo perfeito para uma pausa. As crianças puderam brincar um pouco, nós descansamos e contemplamos o enorme elefante.

E, para compensar a caminhada extra, seguimos para uma surpresa que não tinha nada de arte urbana, a Legoland Discovery Centre Berlim. Lá puderam brincar montando invenções com as inúmeras peças disponíveis. A Legoland fica na Potsdamer Platz, no bairro de Mitte, dentro do complexo Sony Center, um conjunto de prédios com uma cobertura enorme em formato de tenda, em uma das regiões modernas da cidade.

A Legoland Berlim é um parque indoor, próprio para crianças de 2 a 12 anos. Apesar de termos comprado os ingressos na hora, aconselho comprar antecipado para evitar surpresas. E uma informação importante, o parque é voltado para famílias, adulto desacompanhado de criança não entra, então se você for fã de lego e estiver sozinho, fique atento. Apenas uma vez por mês, eles abrem para maiores de 18 anos.

Depois de um tempo brincando e soltando a imaginação com os Legos, voltamos para o centro de Berlim. Nosso próximo destino seria novamente um lugar marcado pela história.

Memorial do Holocausto

O memorial é dedicado às cerca de seis milhões de vítimas judias do Holocausto e foi inaugurado em 2005. O monumento ocupa uma grande área no centro de Berlim, formado por mais de 2711 blocos de concreto de diferentes alturas, projetados pelo arquiteto Peter Eisenman. A entrada é gratuita.

Quando entramos entre os blocos, a sensação muda completamente. Não é preciso fazer esforço pra ficar em silêncio. A tristeza chega aos poucos. Até as crianças entenderam que aquele lugar tinha algo diferente. Caminhamos mais devagar, cada um com seus próprios pensamentos. E assim terminamos o dia.

Memorial do Holocausto em Berlim
Memorial do Holocausto

Berlim entre arte, sabores e histórias

No dia seguinte, a cidade nos recebeu novamente entre obras de arte, feira, comida e, como quase sempre em uma viagem com crianças, um parquinho no caminho.

São justamente dias assim que gostamos de viver em nossas viagens, sem ficar presos a uma sequência de atrações, simplesmente deixar o passeio acontecer.

Pergamon Museum, na Ilha dos museus

Neste dia, fomos conhecer a Ilha dos Museus, um conjunto de cinco museus reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial. Era um daqueles lugares que eu queria muito ir, mas, viajando com crianças, sabíamos que não seria possível fazer tudo.

Escolhemos o Museum Pergamon e o Neues Museum, o segundo, visitamos no dia seguinte. No Pergamon, fomos direto ao encontro do famoso Portão de Ishtar, um dos oito portões que cercavam a antiga Babilônia. É impressionante ver de perto o tamanho daquela estrutura. Depois de cerca de duas horas no museu, tempo suficiente para conhecer o que tínhamos escolhido sem transformar a visita em uma maratona, trocamos a programação cultural pela feira.

Importante: Atualmente o museu encontra-se fechado para reforma, com reabertura prevista para 2027. Se você pretende visitá-lo, vale conferir antes de incluir no seu roteiro.

Pergamon Museu, Berlim
Os leões do Portão de Ishtar

Seguimos para a Feira Turca, que acontece às terças e sextas na rua Maybachufer, entre os bairros de Neukölln e Kreuzberg. São dezenas de barracas de frutas, especiarias, queijos e comidas de rua. Aproveitamos para almoçar, e foi uma daquelas paradas que agradam a família inteira.

Depois da Feira Turca, voltamos à nossa busca pelos murais. Encontramos o Yellow Man, dos artistas brasileiros Os Gêmeos. A caminhada continuou pela região de Kreuzberg e Friedrichshain e pegamos um ônibus até a Ponte Oberbaum.

Mural Yellow Man, Os Gêmeos

Antes de cruzá-la, encontramos mais um mural, o Pink Man, do italiano Blu. O que mais gostei foi o olhar dos três diante daqueles pequenos homens e perceber como ficaram hipnotizados com a cena. Fotografei justamente esse momento. É isso que eu gosto de guardar, a reação deles passa a fazer parte da lembrança daquele lugar.

Hoje parte do cotidiano da cidade, a ponte também carrega a história da Berlim dividida e já funcionou como ponto de passagem entre os dois lados durante a Guerra Fria. Cruzar a ponte nos levou ao próximo encontro com a história e arte da cidade, a East Side Gallery.

East Side Gallery

Depois de tantos murais que fomos encontrando pelo caminho, chegar a East Side Gallery foi um momento especial. Um trecho de 1,3 km do antigo Muro de Berlim ocupado de arte urbana.

Após a queda do muro, em 1989, artistas de diferentes países transformaram esse trecho em uma galeria a céu aberto. São centenas de pinturas que abordam temas como liberdade, esperança, história e transformação.

Percorremos a East Side Gallery tranquilamente, parando diante de algumas obras. As crianças gostaram da quantidade de cores e murais, um depois do outro.

Muro de Berlim

Depois dessa imersão em museu, feira e murais, terminamos o dia de um jeito bem menos cultural. Em uma praça pelo caminho, as crianças brincaram de fazer bolas de sabão com uma simpática artista de rua. Mais tarde, já perto do apartamento, paramos em um parquinho.

Entre o rio e museus

Nada melhor que começar um dia ensolarado com um passeio às margens do Rio Spree. Saímos do apartamento caminhando, observando os prédios e o movimento da capital alemã. Pelo caminho, passamos por construções que ainda carregam nas paredes marcas da guerra e até pela casa onde Angela Merkel, ex-chanceler da Alemanha, morou com o marido.

Nosso destino, naquele dia, era novamente a Ilha dos Museus. Hora de conhecer o Neues Museum.

Neues Museum, na Ilha dos Museus

Nossa principal expectativa era conhecer o famoso busto de Nefertiti, com mais de 3.400 anos. De perto, impressiona não apenas pela beleza, mas pelo estado de conservação e pelas cores vivas. A peça não pode ser fotografada.

O Neues Museum, Museu Novo, exibe coleções sobre a pré-história, história antiga e Egito Antigo. Como seu principal destaque é a coleção egípcia, muitos o chamam de “Museu Egípcio”. E junto com o Museu Pérgamo, que também visitamos, está dentre os museus mais visitados de Berlim.

Saímos do museu e sentamos no gramado próximo ao imponente Altes Museum e à Catedral de Berlim. Depois de algumas horas entre peças e salas, era hora de simplesmente parar e contemplar aquelas duas joias da arquitetura.

Ingressos: Compramos com antecedência pelo site Berlin Tickets

Berliner Dom, a Catedral de Berlim

A bela e imponente Catedral de Berlim é considerada uma das construções mais fotografadas da cidade. É a maior e mais importante igreja protestante, possui um calendário regular de missas mas também funciona como atração.

Tivemos a sorte de ouvir o órgão tocar. Foi emocionante. Essas surpresas durante a viagem fazem toda a diferença.

Também é possível subir seus 270 degraus até a cúpula para ter uma vista panorâmica da cidade. Só o Guilherme subiu. Depois, vendo as fotos, confesso que me arrependi de não ter ido também. A vista é linda.

Depois da Catedral, voltamos às margens do Rio Spree. No caminho, encontramos a linda escultura em bronze “Três Meninas e um Menino” e aproveitamos para almoçar na região.

Na volta, as crianças perguntaram: “O que vamos fazer agora?”. Respondi, brincando: “Vamos a outro museu”. João fez aquela carinha, olhou para o Guilherme e soltou: “Jura, pai”? Foi tão espontâneo que não tivemos dúvida do que ele estava pensando: mais museu, hoje não, por favor!

A pergunta dele acabou decidindo nosso próximo passo. Eu até queria conhecer o Museu da DDR, mas, depois de tanta caminhada e tantos lugares visitados, seria mesmo coisa demais. Voltamos ao apartamento para descansar um pouco e, mais tarde, fomos ao Anne Frank Zentrum.

Anne Frank Zentrum

Visitamos o Anne Frank Zentrum, o Centro Anne Frank de Berlim, na rua Rosenthaler Straße, um centro de exposição e educação dedicado à vida de Anne Frank e ao seu diário. No pátio do complexo cultural Haus Schwarzenberg, vimos o mural de Anne Frank, sorrindo, e isso chamou atenção logo na chegada. Havia comprado o Livro de Anne Frank em forma de gibi para a Gabi ler, então ela conhecia bem a história.

O complexo cultural é um espaço alternativo conhecido pela arte urbana, murais e memoriais ligados à resistência ao nazismo. Entre as paredes grafitadas, também encontramos mensagens contra o antissemitismo, a guerra e a discriminação. Os visitantes podem deixar seus próprios recados e mensagens de paz e, é claro, deixamos os nossos. Achei interessante ver como um espaço tão marcado pela história consegue continuar sendo usado para expressar ideias no presente.

Foi uma visita rápida, mas que combinou muito com o que estávamos buscando em Berlim. Lugares onde a arte, história e vida cotidiana se misturam.

O último dia no ritmo das crianças

Uma tarde no zoo

No último dia, resolvemos dedicar o passeio às crianças e fomos ao Zoologischer Garten, o Jardim Zoológico de Berlim. Zoológicos são um assunto que gera discussão, e pessoalmente, não sou favorável a manter animais presos. Mas fizemos uma exceção.

O Zoo de Berlim é o mais antigo da Alemanha e um dos mais visitados da Europa. O espaço abriga milhares de animais de diferentes espécies e ocupa uma grande área verde, o que torna o passeio bastante agradável.

Vimos muitos animais, mas o panda foi, sem dúvida, o que mais chamou nossa atenção. As crianças também aproveitaram bastante o parquinho do zoológico e gostaram especialmente dos animais que ficam em áreas onde é possível chegar mais perto, como cabras e ovelhas.

Depois de tantos dias em que os dois acompanharam nosso ritmo, achei justo terminar no ritmo deles.

Transporte público em Berlim

Como vocês viram, caminhamos muito na cidade, mas em alguns momentos recorremos ao transporte para otimizar o tempo e também, como já mencionei, descansar as perninhas dos pequenos.

O transporte público de Berlim é muito eficiente, totalmente integrado, ele opera por meio de uma rede que engloba metrô, trens, ônibus e bondes elétricos (tram). Compramos o bilhete semanal e foi perfeito.

Dica importante: Bilhete comprado não significa bilhete válido. Não esqueça, de carimbá-lo no validador, aquelas maquininhas amarelas ou vermelhas. Evite multas e constrangimento. Se comprou pelo app, não precisa.

Sabores que encontramos pelo caminho

Entre uma caminhada e outra, também paramos para experimentar alguns sabores típicos da Alemanha. Com crianças, nem sempre é simples agradar, mas conseguimos experimentar bastante coisa durante a viagem.

Currywurst, schnitzel, pretzel e outras comidas fizeram parte dos nossos dias. Não fizemos uma viagem gastronômica, mas comer também faz parte de conhecer um lugar. Alguns desses sabores certamente vão ficar entre as lembranças que trouxemos de Berlim.

Bairro Mitte, onde ficamos

Nós alugamos um apartamento pela plataforma Airbnb, no bairro Mitte e gostamos muito da localização. Estávamos perto do Portão de Brandemburgo, da Ilha dos Museus, da Alexanderplatz, da Unter den Linden, além de termos vários parquinhos por perto, o que fez diferença viajando com crianças.

Outra vantagem foi o transporte público, que facilitou bastante o acesso a outras áreas de Berlim. Quando precisávamos ir mais longe, era fácil recorrer ao metrô e aos ônibus.

Berlim, uma cidade para caminhar e descobrir

E aí, gostaram de Berlim?

Ao longo dos dias, passamos por muitos lugares e, no conjunto, tudo que vivemos e descobrimos nos mostrou diferentes lados de Berlim.

Viajar com crianças também mudou nosso ritmo. Nem sempre conseguimos fazer tudo o que queríamos, tivemos que parar, descansar, mudar planos e, algumas vezes, convencer os pequenos a andar mais um pouco. Em compensação, foram justamente esses desvios, essas pausas e as descobertas inesperadas que fizeram parte da nossa viagem a Berlim.

No fim, Berlim não ficou para nós apenas nos grandes monumentos ou nos lugares que havíamos marcado no mapa. Ela também apareceu nos muros, nas feiras, nas praças, nos parquinhos e nas cenas que encontramos entre um destino e outro.

Foi assim que Berlim se revelou para nós.

(todas as fotos foram tiradas por De Cavalinho Por Aí)

Foto de Eduarda Salomé

Eduarda Salomé

Paulista, engenheira agrônoma, empresária rural, bailarina, viajante e escritora deste blog desde 2019. Nele conta suas experiências reais desde os desafios até os momentos mais emocionantes. Ama explorar o mundo com sua família e assim informar e inspirar outras pessoas a viverem viagens inesquecíveis!

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“Vá até onde puder ver. Quando lá chegar; poderá ver ainda mais longe.”

Goethe

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