Pantanal, Chapada dos Guimarães, Nobres e Cuiabá

10 dias pelas maravilhas do Mato Grosso com crianças

12–17 minutos

Quando ir?

Escolhemos o mês de julho para passar 10 dias no estado do Mato Grosso. Afinal, com crianças não tem como fugir da época das férias.

Nessa região a estação seca compreende os meses de abril a outubro, sendo assim o mês de julho é perfeito. aliás

Como ir?

Saímos de Campinas/SP, do Aeroporto Internacional de Viracopos para a cidade de Cuiabá, com a Companhia Aérea Azul, o voo dura cerca de 2 horas.

Já em Cuiabá pegamos o carro locado previamente na Locadora Movida e seguimos para o Pantanal. A viagem dura cerca de 2h30min.

A cidade considerada porta de entrada para o Pantanal é Poconé, após atravessar essa cidade você chega na famosa Rodovia Transpanteira, esta com 145 km de extensão. Essa rodovia liga Poconé a Porto Jofre, uma estrada de terra com alguns trechos em asfalto.

Indo para o aeroporto

PARTE 1: PANTANAL NORTE

Poconé, entrada para o Pantanal Norte Mato-Grossense
E aqui começa a Transpantaneira! São 145 km de estrada de terra com muitas fazendas, hotéis e pousadas. O segredo é atravessar devagar apreciando a paisagem, as aves e os animais.

Ideal para pessoas que amam a natureza e o contato com o meio ambiente, tanto a flora como a fauna. É uma aventura ver animais como jacarés, tuiuiús, garças, gaviões, veados e outros tão próximos de nós.

As crianças piram  quando eles cruzam o caminho, é muito legal e emocionante.

Dicas do que levar

Repelente não pode faltar, principalmente no fim do dia quando os mosquitos resolvem picar pra valer. Levar calças, camisas de manga longa e botas é o ideal, principalmente para as crianças. Apesar do calor, quanto mais se cobrir mais agradável fica, pois os mosquitos fnão sentimos os mosquitos.

Protetor solar, chapéu ou boné e óculos são indispensáveis.

Para fotos usamos somente o celular e fizemos lindas fotos. Mas é claro que uma boa máquina fotográfica é bem vinda

Hotel

Nós hospedamos por 4 dias no Pantanal Mato Grosso Hotel, localizado na Transpantaneira. Hotel com hospedagem rústica, comida típica pantaneira e com um pessoal atencioso e simpático.

Eles oferecem várias opções de passeios, varas e isca para pescar, onde pela manhã ou no final da tarde sempre íamos até o deque para aproveitar o sossego de uma pescaria.

Gabi e João no hotel

Com o calor que faz, piscina não pode faltar, para as crianças tem também um parquinho.
Hora da pescaria

Muitos peixinhos e também muitos jacarés no rio que beira o hotel
Comida típica pantaneira, nesta prato frango, polenta, farofa, abobrinha ralada e quiabo. Muita saborosa.
Vista do hotel e um belo céu a noite

Passeios

O hotel oferece vários passeios e nós fizemos todos.

Safari

Neste passeio saímos em um caminhão aberto pela estrada Transpantaneira, observando animais com hábitos diurnos e paramos na Fazenda Campo Largo para contemplar o pôr do sol. Na volta,já a noite fizemos a focagem noturna, onde observamos animais da fauna noturna em seu habitat natural.

Transporte usado no Safari

Tuiuiú, ave símbolo do Pantanal
Tem  jacarés por todos os lados, no início da viagem a gente vibra quando encontra um, depois até se acostuma.
Fazenda Campo Largo
Belíssimo pôr do sol.

Na focagem noturna vimos jacaré, veado, capivara, lobinho também conhecido como cachorro-do-mato.

MIRANTE

Para chegar até o mirante é preciso fazer uma caminhada por uma trilha, bem tranquila, de uns 15 minutos.

Início da trilha para o mirante
Olha quem encontramos, um tuiuiú…lindo, lindo
Na ida João não confiou muito nessa passarela e foi no colo.
Trilha pelo cerrado, aproveitamos para dar uma aula prática para a Gabi sobre plantas e árvores do cerrado, pois coincidiu com o que ela estava aprendendo na escola.
Torre de 16 metros de altura
Paisagem pantaneira vista do alto
Na volta criou coragem e andou pela passarela
Gabi e suas “estrelas”, mães de meninas conhecem bem.

CAVALGADA

Passeio de aproximadamente 1h na companhia de um guia por trilhas e estradas de terra. Passeio agradável, bom pra contemplar a natureza.

Pelo caminho vimos vários animais, os lindos tuiuiús, veado, capivara.

As crianças podem andar tranquilamente nos cavalos, eles são muito mansinhos.

E tinha um cemitério no meio do caminho
Uma delícia esse passeio, recomendo

PASSEIO DE BARCO

Passeio ao longo do Rio Pixaim, fomos com um grupo de pessoas, mas é possível  fazer privado, se preferir. O barqueiro Peixinho, morador da região conhece todos os animais que cruzam o caminho e os chama pelo nome e  podem acreditar, eles atendem.

Tuiuiú Tafarel
João e o barqueiro Peixinho, uma simpatia de pessoa e conhecedor da região, nos deu uma aula sobre os costumes das aves e  de todos os animais que vimos pelo percurso.
A intimidade dele com o Jacaré é impressionante, se eu não tivesse visto talvez não acreditasse. Ele batizou esse jacaré de “Sadam”. As crianças, ou melhor todos ficaram de “boca aberta”. Para nós foi um momento tenso,  mas correu tudo bem.
Bela imagem do sol se pondo.

Hora de dormir, as garças chegam e garantem seu lugar.

PARTE 2: CHAPADA DOS GUIMARÃES

E do Pantanal seguimos para a Chapada dos Guimarães, uma viagem de 240 km feita em 4hs horas. Saímos pela manhã, paramos em Cuiabá, que fica no caminho, e almoçamos no restaurante Varadero. Com essa parada a viagem não ficou cansativa.

A Chapada dos Guimarães é um verdadeiro paraíso do Cerrado brasileiro, onde a natureza revela paisagens de tirar o fôlego a cada curva. O destino reúne inúmeras opções para os amantes do ecoturismo, com cavernas, flutuações, cachoeiras e mirantes que proporcionam vistas panorâmicas impressionantes.

A beleza da região começa antes mesmo da chegada. Ao longo da estrada, a grandiosidade dos paredões, vales e formações rochosas já anuncia a experiência inesquecível que está por vir, transformando o trajeto em parte do encanto da viagem.

Primera parada, cachoeira Véu de Noiva, cartão postal da Chapada. Antes mesmo de chegar na cidade paramos e seguimos até seu mirante, há um amplo estacionamento onde deixamos o carro e descemos por uma rápida trilha em direção a cachoeira. O acesso é gratuito e por motivo de segurança é proibido descer até embaixo e tomar banho em suas águas.

Estrada Cuiabá – Guimarães

Eu adoro uma placa
Início da trilha para a Cachoeira Véu de Noiva
Trilha autoguiada de mais ou menos 500m até o mirante. O horário de visitação é das 9 as 16hs. É sempre bom checar os horários de funcionamento antes de ir, para não perder a viagem.
Beleza surreal

Paredões de arenito.
Cachoeira Véu de Noiva

Somos pequenos diante de tanta beleza!!

Hotéis

Primeiro dia nos hospedamos na pousada Casa da Quineira, no centro da cidade, é uma bela pousada, com quartos acolhedores, piscina e um delicioso café da manhã. Os outros 3 dias na “Pousada do Parque” que está localizada dentro do Parque Nacional Chapada dos Guimarães. (não tinha disponibilidade para os 4 dias na Pousada do Parque por isso nos hospedamos 1 dia na Casa da Quineira).

O portão de acesso a pousada fica a margem da rodovia, após 5 km de estrada de terra está a recepção da pousada.

É uma bela pousada, localizada numa área privada de 500 hectares, com trilhas, mirante, cachoeiras e um sítio arqueológico com pinturas rupestres, estas em estudo pelo IPHAN e outras instituições. A pousada ainda conta com um ótimo restaurante o Teta da Loba, o que facilita bastante já que ela fica a 10 km do centro.

Depois dos passeios, digamos um pouco intensos feitos no Parque, chegar nesta pousada rodeada pela natureza é muito prazeroso e relaxante.

Recepção da Pousada da Quineira ( a primeira que ficamos)

Pousada do Parque

Restaurante Teta da Loba

Restaurante Teta da Loba

Nosso guia João

Pinturas rupestres

Passeios

Caverna Aroe Jari, Caverna Kiogo Brado, Lagoa Azul e Cachoeira Água Fria.

Para começar esse dia intenso de atividades marcamos encontro em um ponto na praça de Guimarães com o guia e o restante do grupo organizado por ele e saímos em direção a Fazenda Água Fria, distante 46km da cidade, esta propriedade não faz parte do Parque Nacional. Valor do guia R$75,00/adulto e R$50,00/criança.

O valor para o passeio dentro do parque é R$120,00 (adulto) e R$40,00 (crianças entre 6-10 anos) está incluído entrada, almoço e o transporte de volta até a recepção do parque, eles oferecem perneiras de couro para segurança contra picadas de cobras, o uso é obrigatório.

Aqui é possível ir e voltar de trator, ou ir andando e voltar de trator e ainda ir e voltar andando. Optamos em ir caminhando e voltar de transporte. Na ida andamos 9,5 km e foi muito bom, com várias paradas onde o guia Daniel, um argentino bastante atencioso, nos explicava sobre a fauna e flora local. Nessas paradinhas era possível descansar um pouquinho, as crianças não reclamaram, e curtiram muito o passeio.

Início da trilha

É bom levar muita água e um lanche leve.

Ponte de pedra

Flores do cerrado

Caverna Aroe Jari (significa Morada das Almas), maior caverna de arenito do Brasil.

Apesar de ficar escuro ela não é tão baixa.
Pedra de 3 pontas
Caverna Kiogo Brado

Lagoa Azul, não é permitido banho.
Um sonho de tão lindo
Siriema, aves do cerrado

Depois de tanto andar chegamos famintos. Comida típica, muito saborosa. Arroz carreteiro, galinhada e peixe frito.

Cachoeira Água Fria, faz jus ao nome, é muito fria
Plantação de algodão e mais um belíssimo pôr do sol

Um probleminha na viagem

Vou contar aqui o aconteceu com a gente. Essa estrada conta com lindas plantações de algodão na estrada e também muitas emas, e isso foi um problema, pois uma cruzou nossa caminho, na verdade três, conseguimos desviar de duas mais uma acabamos atropelando. Estávamos devagar e mesmo assim o impacto foi grande, meu marido teve controle total do carro evitando um acidente grave, que pelo tamanho do animal poderia ter acontecido. O susto foi grande e a tristeza de ter atropelado a ema também, pois ela não resistiu. Infelizmente coisas desagradáveis podem acontecer em viagens. E animais na estrada costumam ocasionar acidentes graves, graças a Deus conosco nada aconteceu.

Com isso, acabamos dedicando o dia seguinte para resolver a questão do carro alugado. Apesar de ter danificado bem, ele estava funcionando. Porém como a Movida fica em Cuiabá achamos melhor guinchar e não arriscar andar na estrada. Eu e as crianças ficamos na pousada e meu marido seguiu para Cuiabá fazer a troca, que aliás foi muito tranquila, ótimo trabalho da Movida.

CIDADE DE PEDRAS E VALE DO RIO CLARO

Esse passeio é feito em veículo 4×4, pois o acesso é difícil, fomos com o guia Iziel, simpático e bastante atencioso, indicado pela pousada. O valor por pessoa é R$250,00 nesse caso criança paga o mesmo valor (pois é considerado o lugar no carro). É bom levar um lanche reforçado e água pois não há restaurante. Protetor solar e repelente também. São 60 km (ida e volta) saindo da pousada. É necessário fazer o agendamento pois há limite de pessoas para visitação.

Fizemos uma flutuação no Rio Claro, nunca tinha feito, é muito bom. Usamos coletes salva-vidas e snorkel, fornecidos pelo guia, descemos o rio flutuando, a própria correnteza que não é forte conduz, muito interessante.

Mirante da Cidade de Pedra com vista para o Vale do Rio Claro.

Impressionantes paredões de arenito, um dos locais de maior beleza da Chapada. É possível ver araras vermelhas voando, um verdadeiro show da natureza

Caminhada em área aberta, sol forte sem nada de sombra

Poço da Anta

Formação conhecida como Crista de Galo. Pra chegar aqui a subida é íngreme, cansa bastante, mas vale a pena

PARTE 3: NOBRES, BOM JARDIM

E da Chapada seguimos para Bom Jardim a 170 Km de distância, 2 horas de viagem em uma boa estrada,  com faixas  largas e bem sinalizadas.

Como muitos pensam as belas atrações turísticas não ficam em Nobres e sim no distrito de Bom Jardim, a 65 km da cidade de Nobres. Bom Jardim é uma pequena vila, simples, com cerca de 500 habitantes, e pouca infraestrutura, por ali se encontra um supermercado e um posto de gasolina. Uma cidade situada a margem da rodovia rodeada por ruas de terra.  Sinal de celular é raro ou melhor não tem. Sua rusticidade encanta.

Suas belezas naturais são semelhantes a famosa Bonito, cidade do Mato Grosso do Sul.

Por 2 noites nos hospedamos na Pousada Rota das Águas que como a maioria das pousadas é também agência de turismo. Ali programamos nossos passeios para a Lagoa das Araras, Aquário Encantado e Cachoeira Serra Azul.

Passeios

LAGOA DAS ARARAS

A Lagoa das Araras, ficava bem próxima da nossa pousada, não é obrigatório a presença de um guia. As araras regressam por volta das 16hs para dormirem, vimos muitas chegarem, é um espetáculo lindo. Há deques em dois pontos para observação. É bom levar repelente, como é final de tarde os insetos estão empolgados. O valor da entrada é R$25,00/pessoa, crianças não pagam.

AQUÁRIO ENCANTADO 

A infraestrutura é muito boa, super organizado. O número de visitantes é controlado, por isso é bom agendar para não perder a chance de ver essa maravilha.

Na recepção eles fornecem o colete salva-vidas, sapatilha, máscara e snorkel (esses nós levamos) e de lá fomos de trator até o início da trilha (400m) em direção a lagoa e ao rio.

Passarela de madeira ao longo da trilha.

Lagoa Azul, parece uma pintura de tão linda. Aqui mergulhamos e vimos muitas espécies de peixes.

Descida de 800m no Rio Salobra, flutuando. Durante a trilha e a flutuação o guia explica sobre plantas e animais vistos pelo caminho.

Almoçamos no restaurante do Áquario, comida típica muito saborosa.

CACHOEIRA SERRA AZUL

Localizada dentro do Parque Ambiental Sesc Serra Azul, essa  linda cachoeira possui um delicioso poço para flutuação, pra chegar até ela são 470 degraus entre subidas e descidas. E para quem quiser há a opção de descer de tirolesa.

Não foi fácil deixar a Gabi descer, fiquei bem nervosa. O Guilherme foi na frente e ela depois, eu e o João descemos andando. Não quiz cortar seu espírito aventureiro e encarei os 7 segundos mais longos da minha vida. Porque eu de aventureira não tenho nada.

Um outro local para passeio é o Balneário Estivado, nós não fomos. Demos uma passada rápida para ver os inúmeros macaquinhos que ficam ao redor do balneário, as crianças adoraram.

Lanchonte do Lukinhas é uma boa pedida para fechar um dia de aventuras.

PARTE 4: CUIABÁ

E pra finalizar nosso turismo pelo Mato Grosso  visitamos Cuiabá, capital do estado. Nos hospedamos por 1 dia e meio no Hotel Odara. Hotel muito bonito, com um ótimo restaurante onde aproveitamos para almoçar no dia que chegamos.

Minha primeira vez em Cuiabá, gostei bastante, cidade limpa, bonita. Logo que chegamos fomos no Centro Geodésico da América do Sul, a cidade esta situada na parte central da América do Sul, ela é o “Coração da América do Sul”.

Achei o máximo visitar este ponto, adoro essas coisas de localização.

Conhecemos três restaurantes muito bons em Cuiabá, que valem a visita. Um é o renomado Mahalo, considerado o melhor restaurante de Cuiabá, simplesmente divino. Lélis peixaria, rodízio com uma variedade incrível de peixes muito saborosos e o Varadero, lindo restaurante e a comida muito boa.

Tagliolini ao mare salteado ao vinho branco, tomates frescos e chips de abobrinha- prato da minha Gabi que ama tudo isso
Prato Kids, spaghetti ao sugo com picadinho de mignon. E de quebra uma porção de fritas
Pintado grelhado com crosta de castanha do Pará, roesti de mandioca, ninho de legumes crocantes, manteiga de banana passa com alcaparras.
Cupim, mousseline de alho poró e espumante, banana-da-terra grelhada e farofa crocantíssima de pequi.
Bolinho úmido de doce de leite com sorvete de queijo.

Artesanato

Pra quem ama artesanato com eu, a Casa do Artesão é um ótimo lugar para adquirir peças de todas as regiões do Mato Grosso e com preço bom.  Outra loja de pirar é a do Leo Rocha, em Guimarães (nós fomos logo no primeiro dia, mas deixei pra comprar uma outra hora, acabei indo no último dia e adivinhem estava fechada!) de consolo tem uma pequena unidade, no aeroporto de Cuiabá.

Casa do Artesão

Leo Rocha Arte Indígena (aeroporto)

E assim foi nossa viagem pelo Centro-Oeste do Brasil, mais um lugar lindo e com um povo hospitaleiro do nosso país.

Espero que tenham gostado, qualquer dúvida das minhas dicas só deixar uma mensagem que respondo.

(Todas as fotos foram tiradas por De Cavalinho Por Aí)

Foto de Eduarda Salomé

Eduarda Salomé

Paulista, engenheira agrônoma, empresária rural, bailarina, viajante e escritora deste blog desde 2019. Nele conta suas experiências reais desde os desafios até os momentos mais emocionantes. Ama explorar o mundo com sua família e assim informar e inspirar outras pessoas a viverem viagens inesquecíveis!

Índice

“Vá até onde puder ver. Quando lá chegar; poderá ver ainda mais longe.”

Goethe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *